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141- Teatro perdido

 Em carta a Domingos Jaci Monteiro , secretário do conservatório dramático brasileiro, de 18 de março de 1864, Machado de Assis apresenta a comédia em 3 atos chamada “O Pomo da Discórdia”. Não existe cópia desse teatro, é um texto que desapareceu.

140- “ O folhetinista é o colibri da literatura.”

  A lanterna de Diógenes. Fisiologia do folhetinista , publicado em 22 de outubro de 1858, no Correio da Tarde. Texto, assinado com o pseudônimo "?" foi identificado como da autoria de Machado de Assis por Fernando Borsato. O texto é sobre o folhetinista, profissão da moda na época, profissão que nasceu na França e do jornalismo. Termina dizendo que ainda não foi bem implementado pelo brasileiro que apenas imita o estilo francês.

139- Elogios

  D. Pedro II (esboço biographico) ,  publicado em 6 de novembro de 1859, na revista  “O Espelho: revista de literatura, moda, indústria e arte”, edição n.10. Biografia de Dom Pedro 2º que foi publicada de forma anônima, a pesquisadora Cristiane Garcia Teixeira atribui a autoria a Machado de Assis, conforme defendeu na sua pesquisa para a dissertação “ Um projeto de revista n’O Espelho: literatura, modas, indústria e artes (1859-1860) ”. O texto em si, começa desde a chegada em 1808 do príncipe regente. Depois fala sobre D. Pedro I e Leopoldina. Finalmente para começar a falar de D. Pedro II desde seu batismo e vários nomes. Fala da sua mãe que morreu quando ainda contava com um ano de idade, e que D. Pedro II teve que se separar do pai quando contava com cinco anos de idade. Aborda a tutoria de José Bonifácio. Explica que em 1840 foi proclamada a sua maioridade. Depois trata de seu casamento com D. Thereza. Pontua as suas obras de caridade, o fato de ele ser cristão, ter...

138- “Estou superior a todas essas intriguinhas...”

Crônicas do Dr. Semana (1864) , publicado originalmente na Semana Ilustrada, Rio de Janeiro, em 17/01/1864, 07/02/1864, 14/02/1864, 27/03/1864, 03/04/1864, 10/04/1864, 17/04/1864, 24/04/1864, .01/05/1864, 08/05/1864, 12/05/1984, 15/05/1864, 22/05/1864, 05/06/1864, 19/06/1864 e 26/06/1864.     No dia 17 de janeiro, escreve um texto que só pode ser entendido como uma propaganda de um remédio, até passando o local onde se pode adquirir o produto.     No dia 7 de fevereiro, discorre sobre uma inusitada disputa envolvendo o filósofo Hermotimo, um bicho preguiça, uma coruja e Minerva.     No dia 14 de fevereiro, explica que um comentário do jornal em outra coluna não quis ofender ninguém, foi uma brincadeira e que o jornal “Semana Ilustrada” não é contra bailes mascarados. <lendo com os olhos de 2024 esse texto me lembra discussões em redes sociais, do tipo “vocês não entenderam que o comentário foi irônico”.>     No dia 27 de ...

137- Aprovando teatros

 Pareceres - Conservatório Dramático (1864) , escrito no dias 08 e 12 de janeiro de 1864.     No dia oito de janeiro fala sobre os dramas “Os espinhos de uma flor” e “O filho do erro”. Sobre o primeiro diz ser contra a sua apresentação, por “perverter os bons sentimentos e falsear as leis da moral”. Já o segundo é aprovado e aproveita para dar alguns palpites para melhorar o enredo.     No dia doze de janeiro fala sobre a comédia “Ao entrar na sociedade”, em que dá parecer pela sua aprovação, apesar de ser obra estreante, diz que o autor já mostra talento.

136.5- O ano de 1863

      Em 1863 Machado de Assis volta com várias poesias, talvez já preparando a coleção de poesias que irá publicar em 1864. E de fato inaugura o ano de 1863 com uma poesia tipicamente romântica .     Neste ano firma sua posição como cronista no jornal “ O Futuro ”, com publicações quase semanais.     Também neste ano continua sua proximidade com o teatro .     Ainda em janeiro de 1863 publica um hino patriótico que fala de liberdade e da luta para “rejeitar o grilhão servil”.     O Dr. Semana volta a publicar oferecendo serviços de “ requerimentos para a soltura de pretos fugidos, e para a emancipação de africanos livres. ”     Em 15/03/1863 comenta em poesia a guerra entre Polônia e a Rússia , lendo hoje impossível não pensar na atual guerra na Ucrânia.     Escreve algumas linhas em que menospreza as mulheres , talvez indício de uma corte malsucedida de sua própria parte . ...

135- Sonho e desespero

 No Limiar , escrito em 1863, presente na primeira edição de Crisálidas, 1864 Uma daquelas poesias que se fazem entender com a leitura de seus últimos versos, pois relendo o texto após a revelação se desfaz o mistério inicial. Texto que pode indicar as tendências futuras do autor de entender o que se passa na cabeça das pessoas, com o uso de personificação dos sentimentos de esperança e desengano. Lendo agora não posso deixar de associar a Sandman de Neil Gaiman, como uma conversa entre o Sonho e a Desespero.

134- A oração

  Fé , escrito em 1863, presente na primeira edição de Crisálidas, 1864. Abre com uma citação de Santa Teresa de Jesus que lê: “Mueveme enfin tu amor de tal manera/Que aunque no hubiera cielo yo te amara”. No poema o autor louva o poder da oração e aqueles que oram.

132- “Viajar é multiplicar a vida”

 Crítica “Peregrinação pela província de S. Paulo , por A. E. Zaluar” (1863 ), publicado originalmente no Diário do Rio de Janeiro, em 16/11/ 1863. Machado de Assis louva o prazer de viajar, mas diz que é preciso ser poeta para aproveitar bem a viagem. O que é o caso no livro “Peregrinação pela província de S. Paulo , por A. E. Zaluar”, o qual é estruturado em uma coleção de cartas dos lugares visitados. É uma resenha bem completa do que se pode esperar no livro. Faz elogio ao livro e de fato dá vontade de ler o livro após a leitura dessa crítica.

131- “DIREITO CRIMINAL- ALTAS QUESTÕES DO CRIME EM CASA ALHEIA”

  Crônicas do Dr. Semana ,publicado originalmente na Semana Ilustrada, Rio de Janeiro. em 13/09/1863, 04/10/1863, 11/10/1863, 29/11/1863, 6/12/1863.    No texto dia 13/09/1863, faz um texto pedindo mais assinantes pagantes para o jornal.    No texto dia 04/10/1863, Dr. Semana apresenta uma serie de modelos de petições jurídicas, a primeira é uma queixa contra um pescador e uma quitandeira que venderam camarão causador de uma forte indigestão e assim são acusados de crime contra a vida do comprador. Os outros casos são semelhante um envolve talheres de osso, outro um doente de nervos. No final afirma: “A autoridade ordinariamente manda tais queixosos plantar batatas e estudar direito, ainda que tragam o Corpus Juris na algibeira.”    No texto dia 11/10/1863, avisa aos deputados que irá acompanhar os seus trabalhos.    No texto dia 29/11/1863, uma carta com uma denúncia a uma senhora que maltrata pessoas escravizadas.    No texto dia...

130- “Está de luto a cena nacional.”

A morte de João Caetano , publicado em primeiro de setembro de 1863, no Diário do Rio de Janeiro ano XLIII, n.239,p.1. Homenagem pelo falecimento do ator João Caetano. “O nome de João Caetano ficará nos anais do teatro e chegará à memória dos vindouros. Mas é aqui o ponto de maior tristeza. O que é a veneração da posteridade pelos artistas de teatro? As cenas palpitantes, as paixões tumultuárias, as lágrimas espontâneas, os rasgos do gênio, a alma, a vida, o drama, tudo isso acaba com a última noite do ator, com as últimas palmas do público. O que o torna superior acaba nos limites da vida; vai à posteridade o nome e o testemunho dos contemporâneos, nada mais.” É muito bem escrito. <Nesse momento histórico Machado de Assis não podia suspeitar na vindoura invenção dos filmes>.

129- “(…) é uma obra de consciência e de coragem, digna e honrosa, é certo, mas nem por isso fácil de empreender.”

Crítica a “A Constituinte perante a História” de Homem de Mello e “Sombras e Luz” de B. Pinheiro – (1863) , publicado originalmente no Diário do Rio de Janeiro, 24/08/ 1863.     O escritor começa esse texto lamentando que o folhetim perdeu seus leitores. E depois começa a crítica ao livro de Homem de Melo, trata-se de um livro de investigações histórico políticas, que merece louvores.     Também comenta o livro “Sombras e Luz” de B. Pinheiro, diz que é um livro que merece a atenção dos escritores     Trata ainda da estreia do ator português César de Lacerda na peça “Cinismo, ceticismo e crença” dizendo que suas impressões foram das melhores.

128- “Nem o arrulho enternecido”

“Sinhá”, publicado no dia quinze de abril de 1863 em “O futuro”, ano I, n.15, p.495. A publicação original pode ser localizado na  hemeroteca digital, posteriormente foi publicado em “Crisalidas”     No jornal em que foi originalmente publicado está a indicação de que foi escrito em 1862. Poesia de idealização da mulher amada, com controverso elogio ao barulho dos pombos.

127- Desprezado

As Ventoinhas , publicado em 01/04/1963, em “O futuro”, ano I, n.14, p.460, depois republicado no livro Crisálidas em 1864.     Texto datado, compara o comportamento de mulheres com o de ventoinhas. Talvez indício de uma corte malsucedida.

126- Sensibilidade X Suscetibilidade

Revelações , de A. E. Zaluar (1863) , publicado originalmente no Diário do Rio de Janeiro, 30 de março de 1863.     Crítica ao livro de Poesias de Augusto Emílio Zaluar. Machado de Assis já começa tecendo elogios ao autor da obra. Explica que há duas classes de poetas os que exprimem a sensibilidade verdadeira e os que exprimem uma suscetibilidade calculada. Para Machado Zaluar exprime essa sensibilidade na sua poesia.

125- “Mas as pontas, essas sim.”

O casamento do Diabo , publicado na Semana Ilustrada, em 29 março de 1863.     Texto publicado anonimamente, com indicação que se trata de uma imitação de um texto alemão. É escrito com a intenção de ser uma anedota e fazer rir.     É um texto datado, talvez por isso Machado de Assis não o tenha assinado.

124- “A tua dor pede vingança e termo;”

O Acordar da Polônia, 15/03/1863, publicado em “O futuro”, ano I, n.13, pp.425-428. É possível achar o texto na hemeroteca digital .     Poesia sobre conflito entre poloneses e russos. Os poloneses lutando pela sua liberdade e independência. O poeta conta uma breve história da Polônia, explica a divisão do território polonês. Fala das guerras e de suas consequências de muitas mortes.

123- “O melhor remédio para não morrer de febre amarela é... morrer de outra moléstia.”

Crônicas do Dr. Semana , publicado originalmente na Semana Ilustrada, Rio de Janeiro.     No dia 8 de fevereiro de 1863, publica a “Carta ao Sr. Christie”, despede-se o Sr. Christie que vai partir para Londres. Lamentando a perda de assuntos, já que a figura rende muitas notícias ao jornal. <Muito provavelmente trata-se do embaixador inglês, protagonista da “Questão Christie” entre Brasil e Inglaterra>.     No dia 15 de março de 1863, publica o texto “Semanopatia Nova Medicina descoberta pelo Dr. Semana”, conta algumas anedotas de medicina, fome, vacinas e febre amarela. Publica ainda o texto “Parte forense”, em que informa que é formado em todas as ciências, inclusive em Direito, e dá notícia do endereço de seu escritório, onde pode ser procurado, lista suas várias competências até mesmo diz que “Faz requerimentos para a soltura de pretos fugidos, e para a emancipação de africanos livres.”

Citações escolhidas

-- "Assim, por sobre o túmulo/ Da extinta humanidade/ Salva-se um berço; o vínculo/ Da nova criação." (1863).
-- “Abre-se o ano de 63. Com ele se renovam esperanças, com ele se fortalecem desanimados. Reunida à família em torno da mesa, hoje mais galharda e profusa, festeja o ano que alvoroce, de rosto alegre e desafogado coração. 62, decrépito, enrugado, quebrantado e mal visto, rói a um canto o pão negro do desgosto que lhe atiram tantas esperanças malogradas, tantas confianças iludidas. Pobre ano de 62! (1863).
-- “Expus com franqueza e lealdade, sem exclusão do natural acanhamento, as minhas impressões; os erros que tiver cometido provarão contra a minha sagacidade literária, nunca contra o meu caráter e a minha convicção." (1863).
-- “Que importa o labor de uma longa semana? Há, para muito descanso, o domingo da imortalidade.”(1863).
--"(...)Passarinho que sendo prisioneiro/ Fugiu matreiro/ Não volta, não!" (1862)
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